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Aceitando a Ansiedade – Caminhos para aprender a lidar

 

Vivemos em uma sociedade ansiosa, todos os dias somos bombardeados por novas informações através das mídias sociais e impressas. O que pode nos causar a sensação de que “temos que dar conta", ou seja, temos que saber de tudo, interagindo com todos e por dentro de todos os acontecimentos do dia no mundo. No fim do dia teríamos que deitar a cabeça no travesseiro com o sentimento de missão cumprida e dormi por 8 horas! Mas será que isso é possível? 

 

Segundo a revista Super Interessante de Fevereiro de 2019, a taxa de ansiedade no brasil é 3 vezes maior que a da população mundial, ou seja, somos o pais que tem mais ansiosos no mundo todo (OMS).

O objetivo principal deste texto é de informar sobre a Ansiedade, trazendo conhecimento e dialogando sobre possíveis formas para que ela não se torne doença. 

 

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) cerca de 33% da população Mundial sofre de Ansiedade. Segundo a mesma fonte, no Brasil 9,3% da população apresentam seus sintomas.

 

Mas o que é Ansiedade?

 

Ansiedade é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis e outras alterações associadas à disfunção do sistema nervoso autônomo.

 

Parando para analisar, a Ansiedade já existe há muito tempo, pense no homem das cavernas, a Ansiedade dele estava ligada a forma de sobrevivencia, ou seja, ele sempre tinha que estar alerta para possíveis confrontos com grandes animais que poderiam atacá-lo.

 

Existem cerca de 200 sintomas para a Ansiedade, 12 regiões cerebrais estão envolvidas na ansiedade e a amigdala é uma delas, pois é uma região do cerebro relacionada ao medo, basta uma pessoa se aproximar da gente que ela já é ativada – o que é algo comum, mas no caso de um ansioso, a amigdala está em hiperatividade, por que uma outra área do cérebro - o cortex pré frontal  (responsável pela consciência), não informa a amigdala que um determinado estimulo deixou de ser ameaça.

 

Por isso, é sempre bom estar atento aos seus sintomas, se a ansiedade começa a paralizar e incomodar, é necessário buscar um psicólogo  pra investigar a causa da ansiedade e até mesmo, um psiquiatra pra combater os sintomas desagradáveis da ansiedade com medicamentos.

 

E o que pode gerar ansiedade nos dias de hoje?

 

Sabemos que as redes sociais contribuem diariamente para o aumento da ansiedade no mundo. Ao passarmos boa parte do nosso tempo em mídias sociais, “maratonando” séries, engajados em atividades e grupos que não gostamos, sem perceber podemos estar nos boicotando, assim não entramos em contato com nossas vulnerabilidades.

Será que temos que estar por dentro de tudo? Será que esses comportamentos nos aproximam ou nos afastam do que almejamos? Será que precisamos ser iguais aos amigos que se mostram felizes, bem-sucedidos e fazer textões lacradores nas redes sociais?

 

A vida em uma cidade como São Paulo é agitada, a maioria dos empregos são em lugares fechados, sem luz natural e com muitos ruídos. As residências por sua vez, seguem no mesmo formato. As ruas abarrotadas de carros, motos, buzinas entre outras dificuldades que enfrentamos diariamente.

 

Todos nós sabemos que uma máquina que trabalha em alta rotação diariamente, necessita de um tempo de manutenção para poder funcionar perfeitamente, mesmo assim, muitas vezes não fazemos nossa manutenção diária para podermos continuar produzindo de acordo com o eu queremos.

 

É comum encontrar pessoas que não consideram a si mesmas como prioridade. Colocamos tantas coisas em primeiro lugar que acabamos por nos esquecer que somos tão importantes e que merecemos cuidados, assim como cuidamos tão bem dos nossos bens materiais, temos que cuidar bem da nossa alma!

 

Esses acontecimentos diários nos causam emoções, sentimentos e sensações, alguns muito intensos. Um tempo para drená-las também é muito necessário. Em outras palavras, são como gotas de água enchendo uma garrafa, se de vez em quando a garrafa não for esvaziada, em algum momento a água vai transbordar e com isso, teremos um problema maior.

 

Somos impulsionados a atingir metas inatingíveis para nos sentirmos “bem”, porém no fundo, não sabemos se estamos realmente satisfeitos ou não. Se estamos no caminho para alcançar o que é valioso para nós.

 

Para onde caminha a Ansiedade?

 

  • Stress pós traumático: Estado ansioso com expectativa recorrente de reviver uma experiência que tenha sido muito traumática. (Assalto);
     
  • Distúrbio de Ansiedade Generalizada: Estado de ansiedade e preocupação excessiva sobre diversas coisas da vida;
     
  • Síndrome do Pânico:  Ocorrência de frequentes e inesperados ataques de pânico. Os ataques de pânico, ou crises, consistem em períodos de intensa ansiedade;
     
  • Fobia Simples: Medo irracional relacionada a um objeto ou situação específico. (Animais);
     
  • Fobia Social:  Ansiedade intensa e persistente relacionada a uma situação social. (Falar em público);
     
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo: Estado em que se apresentam obsessões ou compulsões repetidamente, causando grande sofrimento à pessoa. (Lavar as mãos 3X seguidas).

 

Agora, vamos pensar um pouquinho!

 

Imagine que na infância, somos uma semente, regada pelos nossos familiares ainda na terra. A água com que eles nos regam, são as expectativas e o modo de vida que querem que sigamos. Então, nos tornamos plantinhas, que podem se moldar retinhas conforme os modelos que nossos familiares e a sociedade nos passaram ou podemos ser plantinhas que tendem para um outro lado que não o que eles planejavam.

 

Então, crescemos e podemos perceber que algo não está bem, o que pareceu certo e seguro por muitos anos já não nos satisfaz mais. Temos novas escolhas e não sabemos muito bem como lidar com isso.

 

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Percebemos que não queremos ser iguais a quem nos regou, queremos um novo mundo, mas que envolve novas escolhas, sentidos e julgamentos, esta descoberta não é indolor e nos gera ansiedade.

 

Neste momento de conflito e dúvida pode ser a hora certa para procurar um PSICÓLOGO.

Ansiedade resulta muitas vezes do conflito entre o que o indivíduo quer ser X o que os outros quer que ele seja: 

Será que prefiro continuar fazendo como sempre fiz ou prefiro fazer diferente?

 

 

Qual é a exata função do psicólogo?

 

Faz parte do trabalho do psicólogo acolher, escutar, analisar e intervir, assim auxiliando o paciente a refletir e compreender sobre o que é realmente valioso para ele. Analisar juntos sobre a forma que lidou com os aspectos de sua vida até o momento e sobre como pode conduzir sua vida e escolhas daqui para frente.

 

Este momento de autoconhecimento costuma ser além de revelador, estressante e que causa ansiedade, porque percebemos que tudo que vivemos poderá ser destruído e que algo importante está sendo ameaçado, algo que é fundamental para a gente seguir em frente.

 

Mas devemos pensar que todo o crescimento gera ansiedade, e quando nossas formas de ver o mundo estão sendo ameaçadas, a ansiedade surge como uma reação natural, afinal, não pode haver liberdade sem ansiedade.

 

É missão do paciente estar ciente de tudo o que lhe incomoda.          

 

Como eu posso conviver bem com a minha ansiedade?

 

Quanto nos sentimos ansiosos, é importante pensarmos no que está desencadeando isso, realmente, é um exercício diário e não para ser deixado somente para o dia da terapia.

 

Temos que colocar na balança se o que estamos escolhendo é realmente algo que nos agrada, que nos faz bem, que traga realmente benefícios em todos os âmbitos das nossas vidas.

Corremos atrás de informações que não fazem sentido para nossas vidas, fazemos coisas que não gostamos, interagimos com pessoas que não nos fazem bem, ou que não têm os mesmos valores que a gente, só para não sermos julgados, vivemos intensamente para agradar o outro e acabamos por não nos agradarmos e “esquecermos” o que ou quem realmente somos.

 

Além disso, devemos procurar sempre fazer o que gostamos, exercícios físicos adequados, meditação, deixar de perder tempo com problemas ou coisas insignificantes, se alimentar bem, olhar com mais amor por você, entendendo o que você gosta ou não de fazer e aceitar que é uma pessoa ansiosa, mas que você pode criar ferramentas para lidar com isso. 

 

Temos que achar nossos próprios corações, nossas próprias almas e

entender que essa escolha acarretará em consequências.

 

Este texto foi escrito e desenvolvido pelas Psicólogas Paula Campos CRP/SP 06/79405 e Cassia Sousa CRP/SP 06/122963 – utilizando as referências bibliográficas abaixo:

 

 

 

Referências bibliográficas:

 

  • Abrata -  www.abrata.org.br
  •  
  • Cury, Augusto (2015):  Ansiedade – Como enfrentar o mal do Século; Saraiva Ed.
  • Psicologado – www.psicologado.com.br - visao-da-ansiedade-generalizada-na-abordagem-gestaltica
  • Revista super interessante – ano 2017 – Dossiê ansiedade;
  • Revista super interessante – ano 2019 – A epidemia da ansiedade;
  • May, Rollo – A culpa e a Ansiedade: https://www.youtube.com/watch?v=ixwyQkdxYUo
  • Psicologias do Brasil – A Ansiedade está atrapalhando sua vida? – Março/2017